Somos todos velhos, ou assim gostaríamos que fosse.
Servimos a propósitos escusos, e conduzimos a rotina
sob um véu fino de desaforo. Talvez não fosse para
ser assim, mas o que haveria por fazer?
Tomamos do cálice esse sentimento vasto de igualdade
e censura. Padecemos pelo corpo lentamente e assim
beijamos exaltadamente outros igualmente desesperados
esperando que por favor nos esqueçam também.
Pagamos nossas contas, nem sempre em dia, e rezamos
vagamente quando convém ou de tristeza. Pena de morrer,
e outras variáveis. Herdamos do português essa expressão
um tanta larga, essas vogais com gosto e esse profundo gosto
pela vilania e pelo sangue.
E gozamos, sim gozamos...
nestas orgias monótonas e inseguras
de dívidas e contratos por assinar.
O sangue nos trópicos é vermelho também.
Menos temperado, é verdade... mas ainda podre
e infeccioso como o teu.
A porra é branca também,
e, por aqui, são poucos os que gostam de engolir -
ainda que muitos engulam.