sábado, 17 de março de 2012

Take It Or Leave It, The Strokes



Leave me alone
I'm in control
I'm in control
And girls lie too much
And boys act too tough
Enough is enough...

MAURICE BLANCHOT

"A parte de Artaud lhe é própria. O que ele diz é de uma intensidade que não deveríamos suportar. Aqui fala uma dor que recusa toda profundidade, toda ilusão e toda esperança, mas que, nessa recusa, oferece ao pensamento 'o éter de um novo espaço'. Quando lemos essas páginas, aprendemos o que não conseguimos saber: que o fato de pensar só pode ser perturbador ; que aquilo que existe para ser pensado é, no pensamento, o que dele se afasta, e nele se exaure inesgotavelmente; que sofrer e pensar estão ligados de uma maneira secreta, pois se o sofrimento, quando se torna extremo, é tal que destrói o poder de sofrer, destruindo sempre à frente dele mesmo, no tempo, o tempo em que ele poderia ser retomado e acabado como sofrimento, o mesmo acontece, talvez, com o pensamento. Estranhas relações. Será que o extremo pensamento e o extremo sofrimento abrem o mesmo horizonte? Será que sofrer e, finalmente, pensar?"

- Maurice Blanchot in O livro por vir, pp. 55-56.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Bathysphere* 

When I was seven, I told my mother:
'Take me to the bay and put me on a ship'.

Silver swordfish of electric
I can feel a dream down here.

If the water should cut my mind,
If the water should cut my life,
If the water should cut my mind,
set me free.

I don't care,
I want to live in a bathysphere.

When I was seven, my father said to me:
'But you can't swim',
and I never dreamed of the sea again.

If the water should cut my life,
If the water should cut my line,
If the water should cut my mind,
set me free.

I don't care,
I want to live in a bathysphere.


* letra de Bill Callahan.
...Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado

Entre os dentes segura a primavera...



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Nude as the news, Cat Power



I still have a flame gun
for the cute, cute, cute ones...

And I saw your hand with a loose grip on a tight ship.

I still have a flame gun
for the cute ones
to burn out all your tricks... And I saw your hand with a loose grip
on a very tight ship.

And I know, in the cold light
There's a very big man...
There's a very big man
leading us into...
temptation.

Jackson, Jesse, I've got a son in me!

And he's related to you,
he is waiting to meet you.

He's related to you,
he is dying to meet you.

Back-hand, role reversal:
where is someone?
Back-hand, reversible roles:
I know there's someone.

I still have a flame gun
for the cute ones
to burn out all your tricks -

And I saw your hand with a loose grip on such a tight ship...

And I know... in the cold light,
There's a very big man...
leading us into... Temptation.

Jackson, Jesse, I've got a son in me.

And he's related to you,
He is waiting to meet you.

He's related to you,
He is dying to meet you...

He's related to you! He's nude as the news, nude as the news, nude as the news, nude as the news...

All over you.

Ler Poesia, Joan Margaritin

Ao terminar um livro de poemas
de Paul Celan, não sei o que foi que me disse
nem o que quis dizer-me. Nem sei sequer
se pretendeu dizer-me alguma coisa.
Há tanto medo num poeta hermético.
Deixo a mão em cima do livro já fechado,
e juro manter sempre à distância este medo.
A poesia, que pode ser primeiro
uma paisagem a que se chega de noite,
acaba sempre por ser um espelho
onde alguém virá a ler os seus próprios lábios.
E que razão de ser
há no conteúdo se estiver vazio?
Silêncios e vazios foram feitos
apenas para os anjos. Contêm
o medo da vulgaridade. E a vulgaridade do medo.

- Joan Margaritin
Misteriosamente feliz, Visor

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Somos todos velhos, ou assim gostaríamos que fosse.
Servimos a propósitos escusos, e conduzimos a rotina
sob um véu fino de desaforo. Talvez não fosse para
ser assim, mas o que haveria por fazer?

Tomamos do cálice esse sentimento vasto de igualdade
e censura. Padecemos pelo corpo lentamente e assim
beijamos exaltadamente outros igualmente desesperados
esperando que por favor nos esqueçam também.

Pagamos nossas contas, nem sempre em dia, e rezamos
vagamente quando convém ou de tristeza. Pena de morrer,
e outras variáveis. Herdamos do português essa expressão
um tanta larga, essas vogais com gosto e esse profundo gosto
pela vilania e pelo sangue.

E gozamos, sim gozamos...
nestas orgias monótonas e inseguras
de dívidas e contratos por assinar.

O sangue nos trópicos é vermelho também.
Menos temperado, é verdade... mas ainda podre
e infeccioso como o teu.

A porra é branca também,
e, por aqui, são poucos os que gostam de engolir -
ainda que muitos engulam.